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riscos_e_rabiscos

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(Ir)Responsabilidade

 

 

Dou aulas desde o século passado mas nunca me aconteceu uma situação destas. Talvez sejam inovações da Nova Era. Ou alguma mutação genética. Ou até mesmo seres geneticamente modificados… Quem sabe!

 

A semana antes das férias do Carnaval é aquela em que se costumam realizar testes de avaliação. Não é por nada mas as avaliações têm de ser feitas e corrigidas e, para não andar a correr para trás e para a frente a dar aulas e a corrigir testes, resolvi fazê-lo mais calmamente nas ferias. Até porque eu só voltaria a dar aulas no colégio na sexta-feira porque não tenho aulas à quinta.

 

No dia dos testes, houve um mini-marmanjo que me faltou ao teste. Nem água vai, nem água vem. Faltou e pronto. Qual justificação, qual quê! Recados escritos?! Qué isso?!

O mais engraçado é que a mãe é minha colega, portanto, professora de Inglês também. Mas em clara vantagem profissional, diga-se!

Pensei para com os meus botões: hummm… gostava de saber o que ela faz aos alunos dela que lhe fazem isto! No mínimo, não os deve deixar a fazer teste…

 

Instalei-me confortavelmente na minha cama – de solteira que tem umas almofadas excelentes! – e preparei os testes para começar a rabiscar (percebem agora o nome do blog? Riscos e rabiscos… Sim?).

Grelha de correcção a jeito, caneta na mão – desta vez corrigi a cor de rosa* - testes no colo… Três, dois, um… rabiscar! Quer dizer, corrigir!

 

Depois de ver a minha turma do 3º ano, constato que me falta o teste de um aluno. Revoltei a minha mala, os testes todos, as papeladas, os livros e… nada! Pensei que a única alternativa era o miúdo fazer de novo o teste. Não queria prejudicá-lo com a falta da avaliação escrita. E meti um teste na mala.

 

Primeiro dia de aulas: entrega e correcção dos testes. Devo dizer que tive prai 15 cem por centos. Os do 4º ano não comento, embora não tenha havido uma única negativa. Revolta-me miúdos inteligentes não aproveitarem as suas capacidades.

Assim que cheguei ao colégio, fui à sala do 3º ano à procura do aluno cujo teste eu não tinha. Perguntei:

- V. entregaste o teu teste? É que revoltei a minha casa toda e não o encontrei…

- Não, teacher… - coloca a mão debaixo da mesa e puxa umas folhas – está aqui!

- Então tu não entregaste o teste?! Ai que cabeça!

O meu aluno “faltista” ao teste, foi catrapiscado no meio do corredor e arrastado para a minha sala para fazer o teste.

 

É só distracções e complicações, dores de cabeça e nervos à mistura. No entanto, resisto.